A instabilidade política no Brasil pode ser justificada pela falta de experiência democrática, mas só pode ser explicada pelo Fisiologismo e pela Patronagem, tido quando as práticas políticas incorporam a identidade de negócios.

O caráter histórico do fisiologismo político e as implicações econômicas são discutidos como algo de “duração alargada, que ao longo do tempo vai se diferenciando de maneira que preserve o essencial de sua função, ante um contexto político, social e econômico marcadamente assimétrico” (1).

As relações patrimonialistas na política brasileira determinam os ciclos econômicos curtos, estando intimamente relacionadas ao estado recorrente de empobrecimento da sociedade no país.

A perpetuidade da estratégia fisiologista se vale da interação entre líderes de partidos, articuladores políticos e a fragilidade dos eleitores, mas se sustenta pela mobilidade constante destes agentes, entre diferentes grupos de interesse, sem qualquer vinculação programática ou fidelidade partidária.

Esta forma modular do exercício da política no Brasil é bem representada pelo PMDB.

O partido se distribui entre várias frentes e lideranças, sem assumir uma identidade política ou responsabilidade programática de longo prazo, não se expõe a concorrência democrática, ou se vincula a uma linha ideológica.

A estratégia se baseia em delegar o eleitor e o voto às lideranças regionais,  liberando senadores e deputados ao exercício intensivo do fisiologismo. Na dinâmica operacional, todo esforço é direcionado  a vinculação de “fornecedores” e a sedução de “clientes”, de forma a mantê-lo ajustado em uma lógica correspondente entre comerciantes no mercado político.

Embora o PMDB seja exemplo, a prática do fisiologismo é utilizada, sem disfarce ou decoro, por todos os partidos políticos brasileiros, e justificada por discursos desenvolvimentistas, sem sustentação, ou liberal, sem a dimensão social.

A mudança deste ciclo de causa e consequência entre instabilidade política e crise econômica no Brasil,  se dará com reformas que garantam independência à burocracia pública,  e pela reciclagem de parte do eleitorado brasileiro.

Enquanto modelos  e perfis históricos não são atualizados, a chance de mudarmos a história política e econômica do Brasil continuará dependendo  apenas ou “sobretudo, do apoio da opinião pública”.

“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”
Karl Marx.
Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, 1852.

(1) Mendes Cunha, Alexandre Mendes _ “Patronage, clientele, and political networks: the apparent duration of a concept within Brazilian political history”.

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