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As palestras da Claudia Kodja conectam economia, comportamento e investimento para apoiar decisões mais conscientes, fortalecer relações com clientes e desenvolver líderes e equipes em cenários de alta complexidade.
Renda na aposentadoria é um dos maiores desafios financeiros do nosso tempo. Embora exista um vasto volume de informações sobre como planejar essa fase da vida, grande parte da população brasileira não contribui para qualquer sistema de proteção previdenciária, seja público ou privado.
É compreensível que a quantidade de informação não seja proporcional à adesão. Isto porque a maioria do conteúdo disponível sobre previdência foi elaborado por educadores e gestores de patrimônio, que tendem a produzir conteúdos excessivamente técnicos e pouco conectados à realidade cotidiana das famílias.
O Alcance da Proteção Previdenciária no Brasil
Conforme o último levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, cerca de 26 milhões de pessoas (ou 31% do público ocupado), estavam desprotegidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O valor médio dos benefícios emitidos pela previdência social é de apenas R$ 1.477,74 e o teto do INSS para 2023 é de R$ 7.507,49.
Se aposentar com o teto é uma realidade praticamente impossível. Dentro dos mais de 30 milhões de benefícios pagos pelo INSS, apenas uma fração estatisticamente irrelevante dos beneficiários recebe o teto previdenciário, também segundo o último levantamento do IBGE.
Para este valor médio de benefícios é de se esperar uma mobilização maior na busca de produtos de previdência privada, daqueles com melhores condições financeiras ou um padrão de vida superior, a fim de que possam complementar a renda na aposentadoria e manter o padrão de vida alcançado no período laboral.
Conforme pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, apenas 27% da população brasileira com renda superior a 10 salários-mínimos são investidores de produtos de previdência privada.
Fonte: Folha de São Paulo.
Vale ressaltar que apenas 16% da população brasileira possui uma renda mensal superior a 5 salários-mínimos, tornando o volume absoluto de investidores em previdência privada irrisório, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE.
Sobre a urgência de se Pensar na Velhice
Para falar sobre a urgência em desenvolver uma estratégia de renda para a aposentadoria, sem cair na mesmice improdutiva de citar o aumento da longevidade, vamos aos fatos.
1° Viver mais não significa capacidade de trabalhar por mais tempo.
2° Viver por mais tempo não implica no aumento de vagas de trabalho.
3° O aumento da longevidade não atinge toda sociedade da mesma forma.
Não há dúvida que o aumento da expectativa de vida foi extraordinário.
Entre 1960 e 2020, a população mundial com mais de 50 anos cresceu 4,44 vezes.
Fonte: Our World in Data
autora: Claudia Kodja – Palestra Família Previdência
No entanto, viver por mais tempo não implica no aumento da oferta de emprego ou habilidade e capacidade para atuar nas novas vagas de trabalho.
O percentual de pessoas acima de 55 anos que apresentam limitações funcionais relevantes para o trabalho se mantém estável no mundo desde a década de 1980, em torno de 44%, segundo o Boletim Estatístico da Previdência.
A partir dos 50 anos e, definitivamente, dos 60, trabalhadores economicamente ativos são agregados, instantaneamente, sem critério ou avaliação, para uma bolha invisível e passam a sofrer com o ageísmo estrutural do mercado de trabalho.
O ageísmo ou etarismo do mercado é determinado pela crença de que os trabalhadores mais velhos devem ser preteridos, uma vez que possuem menos capacidade, agilidade, dão mais valor aos métodos passados e podem ser mais caros.
Neste contexto, aumentar a idade da aposentadoria e elevar a idade mínima e reduzir benefícios melhora indicadores fiscais no curto prazo, mas não resolve os desequilíbrios estruturais do sistema nem a vulnerabilidade financeira da população idosa, a exemplo do que foi feito no Brasil e o que se cogita fazer na França. Pode expressar força política e conter as preocupações do mercado no curto prazo, mas de forma ineficaz, mantendo a estrutura deficitária e reduzindo a base de consumo da economia interna.
Se toda falta de estrutura social e política para recepcionar o violento aumento da longevidade não for suficiente para alertá-lo sobre o risco de empobrecimento na velhice e a necessidade de estabelecer uma estratégia de renda vitalícia para o período, podemos adicionar a vulnerabilidade crescente dos vínculos trabalhistas.
A dinâmica de mercado anterior, onde a maioria iniciava sua vida laboral após terminarem seus estudos e encontravam empregos estáveis por tempo integral, em que muitas vezes permaneciam até se aposentarem por volta dos 60 anos, parece ter os dias contados.
Carreiras estáveis e por tempo integral não correspondem aos padrões de oferta na atualidade ou às preferências dos jovens trabalhadores. O que se observa é uma realidade mais complexa, com trocas frequentes de emprego, diferentes tipos de vínculos trabalhistas, períodos flexíveis de atividade e avanços tecnológicos, que estão revolucionando o mercado.
Sob todos os aspectos descritos, o empobrecimento ou de queda do padrão de vida na velhice é um risco que ameaça a todos os trabalhadores e a diversas classes sociais. Fechar os olhos para o problema ou adiar a estruturação de uma estratégia de renda para sua velhice poderá levá-lo ao isolamento, insegurança financeira e ao empobrecimento.
A construção de renda na aposentadoria deixou de ser uma escolha e se tornou uma estratégia de sobrevivência financeira. É sobre isso que Claudia Kodja aborda em suas palestras e estudos sobre longevidade, trabalho e patrimônio.a
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